Recorde na Unidade de Coqueamento Retardado (UCR) da Rnest supera marca de dez anos no processamento no terminal de refino pernambucano. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Segundo a Petrobras, resultado alcançado em agosto com coque na Refinaria Abreu e Lima (Rnest) também levou a novos recordes históricos na produção de GLP, nafta petroquímica e coque verde de petróleo.

Com uma média diária de aproximadamente 10.888 m³ de carga processada, a Unidade de Coqueamento Retardado (UCR) da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Ipojuca (PE), bateu em agosto o recorde de volume de operação, superando a marca histórica registrada em setembro de 2016, que era de 10.615 m³/dia. O resultado, divulgado pela Petrobras, também levou a novos recordes históricos na produção de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), nafta petroquímica e coque verde de petróleo no terminal de refino pernambucano.

Dos três derivados que renovaram marcas em agosto, dois superaram recordes de maio de 2026. O GLP alcançou 10.089 toneladas, cerca de 2,9% acima da marca anterior, e o coque verde de petróleo (CVP) atingiu 63.607,8 toneladas, volume 7,4% superior ao recorde, também registrado em maio. A nafta petroquímica quebrou um recorde mais antigo: chegou a 99.912 m³, patamar aproximadamente 19,7% acima da marca de janeiro de 2017.

A refinaria que produziu esses volumes opera nos atuais 130 mil barris por dia após duas etapas de ampliação concluídas desde dezembro de 2024. Naquele mês, a RNEST colocou em funcionamento a unidade SNOX, primeira do tipo no refino brasileiro, que além de reduzir emissões de óxido de enxofre (SOx) e óxido de nitrogênio (NOx) passou a produzir ácido sulfúrico, novo produto comercializado pela refinaria. A partida da SNOX elevou a capacidade de processamento de 88 mil para 115 mil barris por dia, e em março de 2025 a Petrobras concluiu a modernização do Trem 1, com investimento de R$ 93 milhões, levando a capacidade ao patamar atual.

Os 130 mil barris/dia, porém, representam metade do que a Petrobras projeta para a planta de Ipojuca. A segunda linha de refino, o Trem 2, ficou paralisada de 2015 até 2025, quando a companhia retomou o projeto. A RNEST opera desde 2014 com o primeiro conjunto de unidades e concentra a maior taxa de conversão de petróleo em diesel entre todas as refinarias da companhia, com cerca de 70% da produção voltada ao derivado.

Trem 2 da Rnest e a meta de 260 mil barris/dia

Em junho de 2025, a Petrobras assinou os primeiros contratos resultantes de licitação para o Trem 2, no valor de aproximadamente R$ 4,9 bilhões, com a Consag Engenharia. Os acordos cobrem três unidades: uma nova UCR com capacidade para 75 mil barris/dia, uma Unidade de Hidrotratamento de Diesel S10 (UHDT-D) de até 82 mil barris/dia e uma Unidade de Destilação Atmosférica (UDA) de 130 mil barris/dia.

Os contratos com a Consag integram um investimento total de R$ 12 bilhões no Trem 2 e em atividades complementares no Trem 1, segundo informações divulgadas pela companhia em dezembro de 2025. O montante inclui os R$ 8 bilhões em obras de refino e a construção de uma usina fotovoltaica de 12 megawatts de potência na própria refinaria. A expansão da RNEST está inserida no Plano de Negócios 2026-2030 da Petrobras, que prevê US$ 19,6 bilhões em investimentos no segmento de Refino, Transporte, Comercialização, Petroquímica e Fertilizantes (RTC) até 2029.

A previsão da companhia era de entrega escalonada até 2029, quando a RNEST atingiria 260 mil barris/dia, dobrando a capacidade atual e tornando-se a segunda maior refinaria da Petrobras. A primeira unidade do Trem 2 prevista para entrega era a segunda UDA, estimada para o final de 2026, com adição de 50 mil barris/dia. Em plena operação, a refinaria passaria a responder por 17% da demanda nacional de diesel, segundo a presidente da companhia, Magda Chambriard, e as obras teriam potencial para gerar cerca de 30 mil empregos diretos e indiretos.

 

Fonte: Movimento Econômico

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