Abastecimento de caminhão com óleo diesel em posto de combustíveis (Foto Divulgação Volvo)
Estatal trouxe de fora na primeira metade de setembro menos de um quarto do diesel S10 importado em agosto e atende 73% dos pedidos de S10 das distribuidoras nos polos gaúchos; Farsul relata atrasos na entrega no início do plantio. Petrobras diz que cumpre integralmente os volumes contratados
A Petrobras reduziu o ritmo das importações de diesel em setembro, em meio à disparada dos preços internacionais, e não está atendendo toda a demanda das distribuidoras, que voltaram a concentrar os pedidos na estatal.
A restrição de volumes voltou a apertar o abastecimento no Rio Grande do Sul, na abertura do plantio da safra de verão.
O cenário se agravou enquanto o governo demora para regulamentar o subsídio adicional de R$ 1 por litro do diesel, anunciado na quarta (9/9).
A portaria da Fazenda que fixa valor e prazo do benefício ainda não foi publicada – o ministério diz que ela “deve sair até o fim desta semana” – e a Petrobras aguarda os atos para reajustar o combustível.
Dados obtidos com exclusividade pelo eixos PRO mostram que a Petrobras foi a maior importadora de diesel S10 do país desde março, com 1,86 milhão de m³, cerca de um quarto do total informado pelos agentes.
O problema é a oscilação: o volume importado pela estatal sobe e desce acompanhando os preços internacionais e o entra e sai dos subsídios. Foram 251 mil m³ em março, 80 mil em maio, 475 mil em julho, 850 mil em agosto e 205 mil até segunda (14/9).
Procurada, a Petrobras defende que o volume que importa é o que o mercado precisa e que não responde sozinha pelo abastecimento do país.
A companhia afirmou que, “para setembro e outubro, está prevista a importação de diesel em volumes compatíveis com a demanda, considerando a sazonalidade típica do período, influenciada, entre outros fatores, pelo escoamento das safras”, e que “o mercado nacional também é atendido por outros agentes, como distribuidores, importadores e outros produtores, que complementam a oferta de combustíveis”.
Disparada dos preços agrava defasagem
Em abril, a estatal já havia avisado ao governo que não importaria diesel para maio, com o argumento de que não responde por todo o abastecimento nacional. Na época, distribuidoras e importadoras ocuparam o espaço repassando ao mercado o preço de paridade de importação (PPI) integral.
A defasagem não é novidade: em maio ela já existia, mas estava mais bem coberta pela subvenção. Desde junho, o PPI subiu R$ 2,06 por litro e o subsídio ficou parado em R$ 1,12; o R$ 1 adicional que cobriria parte da diferença ainda não vale.
Pelo PPI da Abicom/StoneX desta terça (15/9), o diesel nas refinarias nacionais está R$ 3,15 por litro abaixo da paridade de importação, na média, e R$ 3,57 nos piores polos, com o Brent acima de US$ 107 por barril. A janela de importação estaria fechada há 245 dias, não fossem os subsídios. A Petrobras não mexe no preço do diesel desde 1º de julho, quando reduziu R$ 0,35 por litro.
Há quem encontre espaço para importar com repasse integral do preço, sem recorrer à subvenção. Desde março, os agentes privados trouxeram cerca de 5,6 milhões de m³ de diesel S10, três quartos do total informado.
A Petrobras conseguiu mitigar o choque no Brasil provocado pela guerra dos EUA contra o Irã foi mitigado pois já vinha elevando o uso das refinarias. O fator de utilização do parque da estatal foi recorde no segundo trimestre, com média de 101,2%, e as importações de diesel da companhia caíram 85,2% em relação ao mesmo período de 2025, para 18 mil barris por dia, mesmo com alta de 3% nas vendas do combustível.
Contudo, as refinarias não dão conta de toda a demanda nacional, mas atendem mais do que no passado recente. A Petrobras tem informado ao mercado que os volumes que pretende disponibilizar são comunicados com antecedência aos distribuidores e que cabe a eles planejar o suprimento complementar, inclusive por importação.
Demanda junto à Petrobras dispara
Nos polos de Canoas e Rio Grande, no Rio Grande do Sul, os pedidos das distribuidoras à Petrobras entre junho e agosto cresceram 40,7% em relação ao mesmo período de 2025, para 2,38 milhões de m³ de gasolina A, diesel S10 e diesel S500. Os volumes aprovados pela estatal cresceram 12,9%, para 1,86 milhão de m³. Em 2025, a Petrobras aprovava praticamente tudo o que era pedido; em 2026, aprova cerca de 78%.
Em setembro, o mercado pediu 356,5 mil m³ de S10 e a Petrobras atendeu até o momento 260 mil m³, 73% do volume. No S500, os pedidos somam 136,7 mil m³ e a estatal atende 106 mil m³, 78%. As aprovações de S10 subiram 18,9% em relação a junho-agosto de 2025, de 684,6 mil para 814 mil m³; os pedidos subiram 39,7%.
Nesses cenários, a companhia costumava recorrer aos leilões, modalidade de venda em que amplia a oferta ao mercado mediante concorrência, fazendo que o litro do combustível saia mais caro das portas das refinarias. Quando fez isso com lotes de gás de cozinha, em abril, desencadeou uma crise que levou à queda do então diretor Claudio Schlosser.
A estatal alega que os pedidos superam os volumes contratados e, em alguns casos, o próprio tamanho estimado do mercado, e por isso não atende às solicitações adicionais.
Na nota, a companhia afirmou que “as entregas de diesel pelas refinarias da Petrobras seguem conforme o planejado e de acordo com os compromissos comerciais vigentes” e que “está cumprindo integralmente suas obrigações junto às distribuidoras, entregando todo o volume contratado”.
A Petrobras disse ainda que “não comenta análises ou posicionamentos de outros agentes de mercado” e que reafirma “seu compromisso com uma atuação responsável, equilibrada e transparente, em consonância com sua estratégia comercial”.
Fonte: Eixos
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