O vice-presidente da América Latina de Políticas Públicas e Regulatórias da Maersk, Danilo Veras, participou do primeiro debate do Folha Energia que ocorreu no Mar Hotel. Foto: Arthur Botelho/Folha de Pernambuco

Até 2040, a Maersk pode ter 40 embarcações usando o etanol, mas é preciso avançar na regulamentação e certificação, segundo o executivo da empresa Danilo Veras.

O vice-presidente da América Latina de Políticas Públicas e Regulatórias da Maersk, Danilo Veras, disse que a empresa percebeu que os equipamentos de algumas embarcações são capazes de consumir o etanol depois de citar os testes feitos pela companhia na proporção de 10%, 50% e 100% do biocombustível nos motores dos navios. Ele citou as informações na palestra de abertura do Folha Energia – Matriz de Oportunidades, que ocorreu nesta segunda-feira (24) no Mar Hotel Conventions, promovido pela Folha de Pernambuco, do Grupo EQM. A adoção do etanol como combustível de navios abre um novo mercado para os produtores de etanol no Brasil e no mundo.

O Grupo Maersk é uma das maiores empresas de navegação com cerca de 4 mil embarcações, incluindo 800 navios de contêineres. Segundo Danilo, o passo que precisa ser dado agora “é realmente discutir a regulação, o preço e a toda a certificação”. Na palestra, ele afirmou que que a companhia passou a avaliar o etanol como combustível para a navegação a partir de sua estratégia de descarbonização. A empresa inicialmente direcionou seus projetos para embarcações movidas a metanol, mas decidiu investigar se os navios poderiam utilizar etanol.

Além de realizar testes com o combustível, a companhia se aproximou do setor sucroenergético brasileiro, de universidades e de fabricantes de equipamentos marítimos para reunir informações técnicas. Segundo Veras, a Maersk levou sua equipe técnica para conhecer melhor a cadeia brasileira do etanol e as características da produção de cana-de-açúcar.

A oportunidade de aumentar o uso do etanol está ligada a renovação da frota. De acordo com Veras, a companhia precisa renovar cerca de 20% de sua frota global a cada seis anos. Ele afirmou que, até 2040, a empresa poderá ter aproximadamente 40 embarcações que poderão consumir o etanol. Pelas estimativas apresentadas por ele, somente as 40 embarcações poderiam representar consumo de 1 milhão de toneladas de etanol.

O executivo também colocou o preço como uma questão central para a adoção de combustíveis de menor emissão. Na palestra, ele argumentou que o transporte marítimo enfrenta o desafio de fazer a descarbonização sem provocar um aumento excessivo no custo final ao consumidor. Nesse cenário, a evolução recente da relação entre os preços do etanol “chegou a se encostar” no preço bunker – o óleo fóssil usado pelas embarcações -. Ele explicou que a comparação foi feita pela equivalência energética e o etanol foi “mais eficiente por um breve momento”.

No cenário internacional, o transporte de navegação marítimo obedece regras internacionais. Para a adoção do etanol nas embarcações, Veras destacou que há a necessidade de avançar em regulação num sistema confiável de certificação e de participação das universidades brasileiras na construção das bases técnicas.

No fim da apresentação, Veras também mencionou Pernambuco. Ele afirmou que a Maersk encontrou no Estado um ambiente técnico e empresarial favorável. A companhia já fez visitas ao Porto de Suape, que poderia ser um hub para o abastecimento de etanol pelos navios. A Maersk já tem um terminal de contêineres da APM funcionando no porto pernambucano.

Novos caminhos do etanol

A discussão sobre os novos caminhos das energias renováveis foi o mote do evento. O presidente do Grupo EQM e do Movimento Econômico, Eduardo de Queiroz Monteiro, afirmou que a descarbonização do transporte marítimo é uma discussão que está na “ordem do dia” e próximo ao setor. “Nós temos um fórum a cada 2 anos. Faltava nesse interstício alguma reunião que nos permitisse prestar o olhar do Nordeste às energias renováveis. Nos surpreendeu o número de pessoas presentes e representações de lideranças do setor neste evento”, comentou Eduardo. O Folha Energia contou com executivos da Copersucar, da Única, Udop, presidentes dos Sindicatos de usinas de Pernambuco, Alagoas, Goiás, a Bioenergia Brasil, entre outros.

O presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha, afirmou que os estudos técnicos estão contribuindo para criar uma arquitetura para a transição energética num cenário de descarbonização. O evento também contou com a participação de empresários e executivos do setores sucroenergético e de energia de vários estados.

Politicamente, foi muito prestigiado com a presença de dois ministros: Luciana Santos (Ciência, Tecnologia e Inovação); André de Paula (Agricultura e Pecuária), Thairyne Oliveira (secretária executiva dos Portos e Aeroportos), os senadores Fernando Dueire e Humberto Costa, o prefeito do Recife, Vitor Marques; além dos deputados federais Mendonça Filho, Fernando Monteiro, entre outros.

Também estiveram presentes a vice-governadora, Priscila Krause. A governadora e candidata a reeleição, Raquel Lyra, participou da abertura do evento e afirmou, entre outras questões, que a Petrobras poderá ser uma parceira na futura implantação do ramal pernambucano da Ferrovia Transnordestina. Também candidato ao governo de Pernambuco, João Campos, participou, do primeiro debate do evento, e defendeu a futura implantação da Transnordestina como forma de melhorar a logística do Estado.

Fonte: Movimento Econômico

As notícias de outros veículos de comunicação postados aqui, não refletem necessariamente o posicionamento do SINDIPE.