Frota da Benel foi ampliada em 25% e teve 38% dos equipamentos renovados somente em 2026 – Foto: Divulgação
Presente em 90% dos campos onshore do país, com investimento de R$ 45 milhões, a Benel se posiciona nos terminais por onde deve passar a carga da nova ferrovia.
A Benel, transportadora presente em 90% dos campos privados de petróleo onshore do Brasil, investiu R$ 45 milhões em novos veículos apenas no primeiro semestre de 2026. O aporte ampliou a frota da empresa em 25% no ano e renovou 38% dos equipamentos já em operação, mais de 600 placas licenciadas entre cavalos mecânicos, pranchas, carretas especializadas, caminhões munck, guindastes e caminhões-pipa. O ciclo de expansão também se traduz em empregos: a companhia contratou cerca de 300 profissionais nos últimos meses, 118 deles só no novo projeto de Pilar, em Alagoas.
Por trás dos números está uma aposta de posicionamento. Com o avanço das obras da Transnordestina e a perspectiva de concentração de carga nos terminais do Complexo do Pecém, no Ceará, e do Porto de Suape, em Pernambuco, a Benel diz se preparar para operar nas duas pontas da ferrovia, no transporte rodoviário que leva a carga até o trilho e no crossdocking dentro dos complexos portuários. É nesse ponto que a empresa reivindica um papel que vai além do institucional: o de operadora especializada no Nordeste que tenta se firmar como polo logístico nacional.
“Esse investimento acompanha um momento de maior exigência e especialização do setor de transporte e logística. Hoje, especialmente em operações ligadas à indústria e ao mercado de óleo e gás, não basta ampliar a capacidade de transporte”, afirma Antônio Pinto, head de Estratégia de Negócio da Benel, em entrevista ao Movimento Econômico.
Frota mais nova para operações mais exigentes
Os investimentos na frota é um movimento que responde a uma demanda crescente por segurança operacional e disponibilidade em operações cada vez mais complexas. “A Benel entrou em 2026 com um planejamento de crescimento que contempla renovação e ampliação da frota, justamente para acompanhar o aumento da demanda e a complexidade das operações que atendemos”, diz o executivo, acrescentando que a empresa prioriza sempre a contratação local.
Onshore: um mercado que vale mais do que o volume produzido
A presença da Benel em 90% dos campos privados de petróleo onshore do país explica parte da lógica por trás dos investimentos. Para Pinto, a importância econômica da produção terrestre de petróleo no Nordeste vai além dos barris extraídos, sustentando uma cadeia de empresas, trabalhadores especializados e prestadores de serviço que se movimenta em torno das operações, especialmente em Sergipe, que combina produção já integrada à malha nacional com um novo ciclo de investimentos, e no Rio Grande do Norte, onde Mossoró concentra uma cadeia onshore consolidada.
Segundo o executivo, o Brasil vive um momento relevante no mercado global de petróleo, com o país entre os principais responsáveis pelo crescimento da oferta fora do grupo de produtores que integra os acordos da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), ao lado de Estados Unidos, Canadá e Argentina. Esse crescimento vem principalmente do pré-sal, mas eleva a relevância de toda a cadeia de serviços do setor e o onshore, mais intensivo em mão de obra por barril, tem impacto econômico mais capilar nos municípios do interior.
“É uma produção mais intensiva em mão de obra por barril, com forte presença de operadoras independentes e impacto econômico muito mais capilar nos municípios do interior”, diz Pinto.
Apesar do apetite por investimento, Pinto avalia que a infraestrutura logística do Nordeste evoluiu de forma desigual nos últimos anos. Houve melhora consistente nos eixos principais e nos acessos portuários, mas o gargalo está na conexão entre esses eixos e as regiões produtivas do interior, exatamente onde ficam as operações de óleo e gás atendidas pela empresa, entre restrições de peso em rodovias vicinais e escassez de terminais de transbordo entre modais. “Uma carga especializada no interior do Nordeste exige estudo de rota, autorização especial de trânsito e, às vezes, adequação de trecho. É um trabalho que a operadora absorve para que o cliente não pare”, afirma o executivo.
Transnordestina: ganho de custo sem eliminar a rodovia
É na Transnordestina que a Benel concentra a leitura mais estratégica do momento. Para Pinto, a ferrovia deve derrubar o custo por tonelada transportada em trechos longos com carga homogênea, melhorando a competitividade das cadeias produtivas da região, e ainda aliviar a saturação das rodovias, mas o executivo rejeita a ideia de que o trilho vá esvaziar a demanda rodoviária.
“Ela não elimina o transporte rodoviário: muda o ponto onde esse transporte acontece. Toda carga que embarca no trilho precisa chegar até o terminal e, do outro lado, sair dele até o destino final”, diz Pinto. “O que a ferrovia realmente retira do rodoviário é o frete de longa distância, carga homogênea e baixo valor agregado, que é o segmento mais comoditizado e de menor margem do setor.”
A estratégia da Benel tem endereço definido: o Complexo Industrial e Portuário do Pecém, ponto final da Transnordestina no Ceará, e o Porto de Suape, em Pernambuco, tratado pelo executivo com a mesma lógica de posicionamento.
“Nossa base administrativa no Nordeste já está no Ceará, o que nos deixa próximos dessa cadeia, e Suape segue a mesma lógica em Pernambuco”, diz Pinto. “Então a nossa expectativa em relação à Transnordestina é positiva, mas não passiva. Não se trata de esperar para ver o impacto, trata-se de estar posicionado nos pontos por onde a carga vai passar.”
Fonte: Movimento Econômico
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