Visita de Lula (PT), Alexandre Silveira (PSD) e Magda Chambriard à sonda que perfurou o primeiro poço na Margem Equatorial, em 17 de agosto de 2026 (Foto Ricardo Stuckert)

A Margem Equatorial vai ser aberta para o mundo inteiro se o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, continuar fechando o Estreito de Ormuz, disse o presidente Lula nesta segunda-feira (17/8), após visita à sonda que perfura o primeiro poço exploratório de petróleo na bacia da Foz do Amazonas, localizada na Margem Equatorial brasileira.

“Se o presidente Trump quiser ficar fazendo guerra com o Irã e fechar o Estreito de Ormuz, nós vamos abrir para o mundo inteiro a Margem Equatorial”, afirmou Lula.

Os EUA e o Irã iniciaram, no fim de fevereiro, o conflito no Oriente Médio que levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, rota onde passa 20% do petróleo mundial.

Com isso, o preço do barril se manteve acima de US$ 100 em alguns períodos deste ano. Em resposta, o governo brasileiro estabeleceu uma série de medidas provisórias para subsidiar os combustíveis, além do estabelecimento do Imposto de Exportação do petróleo, com alíquota de 12%.

Em abril, Lula disse que considera a guerra “desnecessária” e baseada na “mentira” de que o Irã tinha uma arma nuclear (Folha de S. Paulo).

Descoberta de hidrocarbonetos na Margem Equatorial
A visita do presidente à sonda ODN II ocorre após a Petrobras anunciar, na sexta-feira (14/8), a descoberta de hidrocarbonetos no poço exploratório em perfuração no bloco FZA-M-59.

Lula comparou a emoção da descoberta recente com a do pré-sal, em 2007. A Margem Equatorial é tratada como a grande nova fronteira exploratória de petróleo e gás.

A expectativa da petroleira é que ela reponha as reservas do pré-sal, as quais devem declinar a partir de 2035. “Isso aqui pode chamar passaporte para o futuro desse país”, afirmou o presidente, repetindo o slogan da descoberta original do pré-sal da Bacia de Santos.

A perfuração do poço deve se encerrar somente no início de setembro, com seis meses de atraso em relação ao cronograma inicial. Pelo menos outros três poços devem ser explorados pela companhia, que aguarda o aval do Ibama para dar continuidade à campanha.

Lula defende novas reservas de petróleo, mas acena aos biocombustíveis
Ao mesmo tempo em que defendeu a exploração na Foz do Amazonas, Lula também disse, nesta segunda, que “luta” para o fim da utilização dos combustíveis fósseis.

“[Mesmo com a descoberta de petróleo], o país vai continuar sendo o país rei da inovação nos biocombustíveis e vai continuar sendo muito grande na questão do combustível renovável”, afirmou o presidente.

A defesa dos renováveis sem abrir mão dos fósseis aparece também no plano de governo de Lula.

O plano estabelece como prioridade para o próximo mandato aumentar a participação de fontes renováveis, ampliar investimentos em armazenamento e flexibilidade do sistema elétrico e acelerar a substituição progressiva de combustíveis fósseis por biocombustíveis e combustíveis de baixa intensidade de carbono, incluindo derivados de hidrogênio.

Paralelamente, Lula defende a continuidade da expansão da exploração onshore e offshore pela Petrobras, a revitalização de campos maduros e a exploração de novas reservas com “cuidados socioambientais” e visão estratégica.

Fonte: Eixos

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