Porto do Pecém, em Caucaia (CE) Foto Ricardo Stuckert PR

Entenda o que é o powershoring, por que o Nordeste pode receber R$ 77 bilhões em  investimentos até 2030 e quais setores devem gerar empregos na região.

O Nordeste deu um passo importante para se consolidar como um dos principais polos da  economia verde no mundo. O Consórcio Nordeste, o Banco do Brasil e o Instituto Clima e Sociedade (iCS) lançaram nesta terça-feira (29) a Carta Compromisso do Fórum Powershoring, iniciativa que pretende atrair até R$ 77 bilhões em investimentos em  indústrias de baixo carbono na região até 2030.

Economia

A proposta pode parecer técnica à primeira vista, mas o objetivo é bastante prático: transformar a enorme capacidade de geração de energia eólica e solar do Nordeste em novas fábricas, empregos, renda e desenvolvimento econômico.

Hoje, o Nordeste concentra alguns dos maiores parques eólicos e solares da América Latina. Com energia abundante e cada vez mais barata, a região passou a chamar atenção de empresas interessadas em produzir bens com menor emissão de gases de efeito estufa.

O que é o Fórum Powershoring?

O Fórum Powershoring foi criado em 2025 pelo Consórcio Nordeste, Banco do Brasil e Instituto Clima e Sociedade (iCS) para reunir governos, bancos, empresas e especialistas em torno de um objetivo comum: atrair grandes investimentos industriais sustentáveis para os nove estados nordestinos.

Na prática, o grupo vai identificar quais projetos têm maior potencial para receber investimentos, buscar financiamento e ajudar a estruturar cadeias produtivas que utilizem energia renovável produzida na região.

Entre as prioridades estão setores como:

  • hidrogênio verde;
  • combustíveis sustentáveis para aviação (SAF);
  • fertilizantes de baixo carbono;
  • siderurgia verde;
  • indústria química sustentável;
  • produção de novos materiais com baixa emissão de carbono.

Mas afinal, o que é powershoring?

Antes de mais nada, o termo powershoring ainda é pouco conhecido no Brasil. Ele deriva da palavra inglesa power (energia) e representa uma estratégia em que empresas escolhem instalar suas fábricas em locais onde existe grande oferta de energia limpa e competitiva.

Enquanto o conceito de nearshoring aproxima fábricas dos mercados consumidores e o reshoring traz indústrias de volta ao país de origem, o powershoring prioriza outro fator: a disponibilidade de energia renovável barata.

Para especialistas, o Nordeste reúne justamente essas características. Assim, com ventos constantes, elevada incidência solar e projetos de hidrogênio verde em andamento, a região pode se tornar um dos principais destinos mundiais para indústrias que precisam reduzir suas emissões de carbono.

Por que o Nordeste foi escolhido?

Nos últimos anos, o Nordeste se transformou em referência nacional na geração de energia renovável. Ao mesmo tempo, a região lidera a produção brasileira de energia eólica e amplia rapidamente sua capacidade de geração solar.

Além disso, diversos portos nordestinos já desenvolvem projetos ligados ao hidrogênio verde, combustível apontado como uma das apostas da transição energética mundial.

Dessa maneira, essa combinação cria um ambiente considerado ideal para receber indústrias que dependem de grande consumo de eletricidade.

A meta é atrair R$ 77 bilhões

A princípio, a Carta Compromisso estabelece como meta mobilizar cerca de R$ 77 bilhões em investimentos industriais até 2030.

  • redução de aproximadamente 20 milhões de toneladas de CO₂ equivalente;
  • fortalecimento da economia regional;
  • aumento da participação de fornecedores nordestinos nas novas cadeias produtivas;
  • geração de empregos qualificados;
  • maior desenvolvimento tecnológico.

Segundo Victoria Santos, gerente de Energia e Indústria do Instituto Clima e Sociedade, o Nordeste possui potencial para se tornar um grande fornecedor mundial de soluções de baixo carbono.

“O Brasil e a região Nordeste, em particular, têm esse potencial de ser um hub de soluções de baixo carbono para o mundo.”

Quanto isso pode movimentar a economia?

Estudo apresentado durante o lançamento do fórum mostra diferentes cenários para os próximos anos.

Cenário

 Investimentos

Impacto estimado

Conservador

Crescimento de cerca de 0,9% do PIB regional até 2035

Intermediário

US$ 30 bilhões

Alta de aproximadamente 1,8% no PIB

Mais otimista

US$ 60 bilhões

Crescimento de até 3,6% do PIB regional

Segundo o economista Jorge Arbache, autor do estudo, o Nordeste já reúne vantagens competitivas importantes.

“O Nordeste já dispõe de ativos competitivos no cenário internacional. O diferencial decisivo será a capacidade de organizá-los em uma estratégia integrada.”

Combustíveis sustentáveis estão entre as prioridades

Um dos focos do Fórum Powershoring é incentivar a produção de combustíveis sustentáveis. Contudo, esses produtos devem ganhar importância nos próximos anos porque diversos países estão adotando metas para reduzir as emissões de carbono no transporte aéreo, marítimo e na  indústria pesada.

Assim, com abundância de energia renovável, o Nordeste pode produzir esses combustíveis com menor impacto ambiental e maior competitividade internacional.

Oportunidade para transformar a economia nordestina

Especialistas avaliam que o powershoring pode representar uma nova etapa do desenvolvimento econômico da região. Portanto, assim como o açúcar impulsionou a economia colonial e a energia eólica transformou o mapa energético brasileiro nas últimas décadas, a combinação entre eletricidade renovável e indústria de baixo carbono pode colocar o Nordeste no centro da transição energética mundial.

Afinal, o desafio, agora, será transformar o potencial em investimentos concretos, novos empregos e desenvolvimento sustentável para os nove estados.

Fonte: NE9

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