Oferta recorde de cana e avanço do etanol de milho reduzem preços nas bombas, enquanto mercado acompanha os efeitos das tensões geopolíticas sobre o petróleo.
Os preços dos combustíveis encerraram julho em queda em praticamente todo o Brasil, consolidando o terceiro mês consecutivo de redução após o pico registrado em abril, quando as tensões geopolíticas no Oriente Médio elevaram as cotações internacionais do petróleo. O destaque ficou para o etanol, que apresentou a maior retração mensal entre os principais combustíveis comercializados no país.
Levantamento do Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL) mostra que o etanol fechou julho com preço médio nacional de R$ 4,25 por litro, queda de 2,30% em relação a junho. A gasolina também ficou mais barata, recuando 0,59%, para média de R$ 6,76 por litro.
Os combustíveis derivados do diesel seguiram a mesma tendência. O diesel comum registrou média nacional de R$ 6,83, queda de 2,15%, enquanto o diesel S-10 encerrou o mês em R$ 7,10, redução de 1,66%.
Diesel já caiu mais de R$ 0,60 desde o pico provocado pelo petróleo
Desde abril, quando o agravamento das tensões no Oriente Médio impulsionou as cotações internacionais do petróleo Brent, o mercado brasileiro vem registrando sucessivas reduções nos preços ao consumidor.
Naquele período, o diesel S-10 chegou ao maior valor médio nacional do ano, atingindo R$ 7,71 por litro, enquanto a gasolina alcançou R$ 6,92. Com os recuos observados nos últimos meses, o diesel S-10 acumula redução de R$ 0,61 por litro, refletindo a melhora das condições de abastecimento e maior estabilidade do mercado interno.
Oferta de etanol impulsiona queda dos preços
Segundo a Edenred Mobilidade, embora os conflitos internacionais continuem influenciando as expectativas para o mercado global de petróleo, seus efeitos demoram a chegar ao consumidor brasileiro.
No cenário doméstico, o principal fator para a redução dos preços tem sido a ampla oferta de biocombustíveis, impulsionada pela safra recorde de cana-de-açúcar e pela crescente produção de etanol de milho.
De acordo com Vinicios Fernandes, diretor de Unidades de Negócio da Edenred Mobilidade, o mercado interno atravessa um momento favorável para os consumidores.
Além de ampliar a competitividade nas bombas, o fortalecimento do etanol contribui para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, fortalecer a matriz energética renovável brasileira, melhorar a balança comercial e diminuir as emissões de carbono da frota nacional.
Norte segue com os combustíveis mais caros
A pesquisa também mostra forte diferença regional nos preços.
A Região Norte permaneceu com os maiores valores médios do país:
- Diesel comum: R$ 7,57
- Diesel S-10: R$ 7,56
- Gasolina: R$ 7,26
- Etanol: R$ 5,29
Na outra ponta, o Sul apresentou os menores preços médios para combustíveis fósseis:
- Diesel comum: R$ 6,24
- Diesel S-10: R$ 6,57
- Gasolina: R$ 6,49
Já o menor preço médio do etanol foi registrado no Sudeste, onde o litro foi comercializado por R$ 4,12, seguido pelo Centro-Oeste, com média de R$ 4,14.
Roraima lidera ranking dos combustíveis mais caros
Entre os estados brasileiros, Roraima apresentou os maiores preços médios para todos os combustíveis analisados durante julho:
- Diesel comum: R$ 8,28
- Diesel S-10: R$ 8,26
- Gasolina: R$ 7,66
- Etanol: R$ 6,05
Já os menores preços ficaram distribuídos entre diferentes estados.
O Paraná registrou o diesel comum mais barato do país, vendido em média por R$ 6,09.
O Rio Grande do Sul apresentou os menores preços para o diesel S-10 (R$ 6,36) e para a gasolina (R$ 6,33).
No caso do etanol, São Paulo manteve a liderança entre os menores preços nacionais, com média de R$ 3,93 por litro, após queda de 2,24% no mês.
Paraná e Rio Grande do Sul lideram as maiores reduções
Na análise das variações mensais, o Paraná apresentou a maior redução para o diesel comum, com queda de 3,94%.
O Rio Grande do Sul registrou a maior redução do diesel S-10 no país, com recuo de 3,05%.
Entre os biocombustíveis, a maior queda do etanol ocorreu na Bahia, onde o preço diminuiu 3,78%.
Já o Distrito Federal apresentou a maior redução da gasolina, com baixa de 3,26%, encerrando julho com preço médio de R$ 6,52 por litro.
Em sentido contrário, o Amazonas registrou as maiores altas mensais para etanol (4,06%) e gasolina (5,40%), enquanto Alagoas apresentou o maior aumento do diesel comum, de 3,35%.
Mercado acompanha petróleo, mas fundamentos internos seguem favoráveis
Apesar das incertezas envolvendo o mercado internacional de petróleo, os fundamentos internos continuam favorecendo a redução dos preços dos combustíveis no Brasil.
A combinação entre elevada produção de cana-de-açúcar, expansão do etanol de milho, maior disponibilidade de combustíveis renováveis e normalização da oferta mantém pressão baixista sobre os preços, beneficiando consumidores, transportadores, produtores rurais e toda a cadeia logística do agronegócio.
Para os próximos meses, o comportamento das cotações internacionais do petróleo continuará sendo um dos principais fatores de atenção, mas o mercado doméstico segue sustentado por uma oferta robusta de biocombustíveis e pelo avanço da produção nacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
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