A estatal brasileira surpreende o mercado com um prejuízo bilionário no último trimestre de 2024, enquanto o lucro anual sofre uma queda drástica. Investidores reagem às novas projeções para dividendos.
A Petrobras (PETR3; PETR4) apresentou um balanço financeiro preocupante para os investidores. No quarto trimestre de 2024, a companhia registrou um prejuízo de R$ 17 bilhões, impactando significativamente os resultados anuais. O lucro líquido da estatal despencou de R$ 124 bilhões em 2023 para apenas R$ 36 bilhões em 2024, uma queda de 70,6%. O resultado acendeu um alerta no mercado e impactou as negociações das ADRs da Petrobras em Nova York, que registraram queda de 5% no after-market.
Principais motivos do prejuízo
A análise do balanço financeiro revelou que um dos principais fatores que levaram ao prejuízo foi o aumento expressivo nas despesas operacionais. No terceiro trimestre de 2024, os gastos operacionais eram de R$ 19 bilhões. No último trimestre do ano, esse valor mais que dobrou, chegando a R$ 43 bilhões.
Especialistas do mercado apontam que essa elevação abrupta das despesas precisa ser melhor explicada pela companhia. A expectativa é que mais detalhes sejam apresentados na próxima teleconferência com investidores. Ainda assim, a falta de transparência sobre os motivos desse aumento gera incertezas e preocupação.
Receita em queda e impactos no endividamento
Outro ponto que chamou a atenção foi a queda na receita da estatal. No acumulado de 2024, a receita de vendas somou R$ 490 bilhões, inferior aos R$ 511 bilhões registrados em 2023. A retração nas vendas impactou diretamente o lucro bruto da companhia.
Com a deterioração dos resultados financeiros, a Petrobras também viu seu endividamento aumentar. A relação entre dívida líquida e EBITDA fechou o ano em 1,4x, um crescimento em relação ao 1,19x registrado no final de 2023. Apesar disso, a dívida bruta da empresa teve uma leve redução de 3,8% em relação ao ano anterior, encerrando 2024 em R$ 60 bilhões.
Dividendos abaixo das expectativas
O mercado aguardava um pagamento de dividendos mais robusto por parte da Petrobras. No entanto, a companhia anunciou apenas R$ 9,1 bilhões em proventos, valor abaixo das expectativas. Cada ação ON (PETR3) e PN (PETR4) receberá R$ 0,70 por papel, pagos em duas parcelas: a primeira em 20 de maio e a segunda em 20 de junho.
Para garantir o direito ao recebimento dos dividendos, os acionistas precisam estar com os papéis em carteira até 16 de abril. O valor anunciado ficou muito abaixo das projeções do mercado, que esperava montantes superiores a R$ 1,20 por ação.
Repercussão no mercado financeiro
A reção dos investidores foi imediata. Após a divulgação do balanço, as ADRs da Petrobras negociadas na Bolsa de Nova York caíram 5% no after-market, sinalizando pessimismo entre os investidores estrangeiros. No Brasil, a expectativa é de que as ações da companhia também registrem forte desvalorização na abertura do pregão.
Expectativas para o futuro
Com um balanço negativo e dividendos abaixo do esperado, o mercado segue atento aos próximos passos da Petrobras. A estatal precisará esclarecer as razões do aumento abrupto das despesas operacionais e apresentar um plano consistente para retomar a rentabilidade.
Além disso, os investimentos da companhia continuam crescendo. Em 2024, a Petrobras investiu R$ 16,5 bilhões em exploração, produção, refino e transporte, um aumento em relação aos R$ 12,5 bilhões investidos em 2023. O mercado aguarda para ver se esses investimentos resultarão em uma recuperação nos próximos anos.
Os próximos trimestres serão cruciais para entender se a Petrobras conseguirá reverter esse cenário desafiador e restaurar a confiança dos investidores.
FONTE: O PETROLEO
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