Com investimento de R$ 1 bilhão, ordem de serviço do lote 8 foi assinada nesta quinta-feira (5) na cidade de Baturité. Foto: Helene Santos e Lucas Almeida/Casa Civil Ceará
Obras no lote 8 da Ferrovia Transnordestina devem gerar 4 mil empregos e fortalecer o escoamento de grãos, minérios e combustíveis pelo Porto do Pecém.
O Ceará receberá R$ 1 bilhão em investimentos federais para a construção de 46 quilômetros da Ferrovia Transnordestina, no trecho que liga os municípios de Quixadá, Itapiúna, Capistrano e Baturité. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (5), durante a assinatura da ordem de serviço do lote 8 da ferrovia. A cerimônia, realizada em Baturité, a 95 quilômetros de Fortaleza, reuniu o ministro dos Transportes, Renan Filho; o governador do Ceará, Elmano de Freitas; representantes da Transnordestina Logística S.A.; e autoridades estaduais e municipais.
O lote 8 da ferrovia inclui a construção de dois viadutos, três pontes e quatro passagens de nível. As obras devem começar em até 45 dias, com previsão de geração de aproximadamente 4 mil empregos, entre diretos e indiretos. O investimento integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC).
O lote representa 3,8% da extensão total da Ferrovia Transnordestina, que terá 1.206 quilômetros de trilhos, ligando Eliseu Martins (PI) ao Porto do Pecém (CE). A meta do governo é concluir a ferrovia até 2027. A previsão oficial é que a operação tenha início progressivo a partir da conclusão dos trechos em obra, com cronograma detalhado ainda em definição.
Ficam pendentes apenas dois lotes para a chegada até Caucaia, de onde já está em obras o trecho de ligação com o Porto do Pecém, na Região Metropolitana de Fortaleza. “Já colocamos em obra o lote 11, agora colocamos o 8, e falta colocar mais dois lotes em obra. Quando esses dois últimos lotes estiverem em obra, o que vai acontecer até setembro, nós teremos na Transnordestina 8 mil pessoas trabalhando até o final do ano”, afirmou o ministro dos Transportes, Renan Filho.
Transnordestina pode ter terminais intermodais em outros estados
Durante a cerimônia, Renan Filho disse que “esse é o maior projeto de infraestrutura do Nordeste brasileiro e traz uma nova esperança. Quando a Ferrovia Transnordestina estiver pronta, Baturité, o Piauí e o Ceará serão uma região com mais oportunidades de crescer. Vamos terminar essa obra. Essa é a determinação do presidente Lula.”
O ministro também comentou o impacto esperado no transporte de insumos. “O milho e a soja que você alimenta as galinhas, agora vão vir do Piauí não mais de caminhão, mas sim de trem, e vai custar metade do que você paga hoje, além de você poder ampliar a sua granja.”
Elmano de Freitas destacou o potencial da ferrovia para atrair investimentos. Segundo o governador, “serão aproximadamente 240 carretas uma atrás da outra em um único trem, que trarão para o Ceará insumos como milho, soja e, quem sabe, minério, atraindo diversos investimentos.”
“A ferrovia absorve a mão-de-obra de toda a cidade e desenvolve o comércio inteiro”, destacou o diretor-presidente da Transnordestina Logística S.A., Tufi Daher Filho. Ainda segundo ele, até o momento há possibilidade de instalação de dez terminais intermodais ao longo do percurso da ferrovia nos estados do Piauí, Pernambuco e Ceará.
Cronograma e etapas restantes
No Ceará, a Transnordestina já tem obras em andamento no trecho que conecta Caucaia ao Porto do Pecém. Segundo o Ministério dos Transportes, dois lotes ainda precisam ser contratados para completar a ligação ferroviária entre o interior do estado e a capital. A previsão é de que esses contratos sejam assinados até setembro deste ano.
Quando todos os lotes estiverem em execução, a expectativa é que cerca de 8 mil trabalhadores estejam mobilizados nas obras da ferrovia.
Impacto logístico e mercado regional
A Ferrovia Transnordestina terá papel estratégico no escoamento da produção agrícola e mineral do Nordeste. A linha será utilizada para o transporte de grãos, fertilizantes, cimento, combustíveis e minério, com parte da carga destinada à exportação pelo Porto do Pecém.
No Ceará, a ferrovia atravessará 28 municípios e contará com três terminais de carga. Um desses terminais, voltado para o transporte de grãos, será localizado entre Iguatu e Quixadá. Os outros dois, para combustíveis e fertilizantes, ainda terão localização definida.
Além disso, o primeiro complexo logístico multimodal do estado será instalado em Quixeramobim, no Sertão Central. O projeto, da empresa Value Global Group, prevê um investimento de R$ 500 milhões. O complexo incluirá uma Estação Aduaneira do Interior (EADI), conhecida como Porto Seco, e deverá gerar mais de 1,3 mil empregos diretos e indiretos, com faturamento anual estimado em R$ 300 milhões. Também está em estudo a instalação de um segundo Porto Seco em Missão Velha, no Cariri cearense.
Avanço do projeto no Nordeste
Dos 1.206 quilômetros da Transnordestina, 676 quilômetros já foram concluídos e outros 281 quilômetros estão em obras. A ferrovia atravessará 53 municípios nos estados do Piauí, Ceará e Pernambuco. A operação parcial, prevista para 2025, começará no Terminal Intermodal de Bela Vista do Piauí.
O Porto do Pecém, que movimentou 23,1 milhões de toneladas em 2024, segundo a Companhia de Desenvolvimento do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP S.A.), deverá se beneficiar diretamente da nova ligação ferroviária, com aumento da competitividade logística do estado e da região.
De acordo com o diretor-presidente da Transnordestina Logística S.A., Tufi Daher Filho, cada emprego direto gerado na ferrovia tem um efeito multiplicador estimado em 3,5 empregos indiretos em setores como hotelaria, alimentação, comércio e serviços.
FONTE: MOVIMENTO ECONÔMICO
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