Empregabilidade no Uber no foco do STF/ Foto: Rovena Rosa
A questão é: como o Brasil vai organizar um mercado de trabalho mais produtivo, mais flexível e menos precário?
O debate sobre o fim da escala 6×1 chega em um momento em que o mercado de trabalho brasileiro já vinha sendo profundamente redesenhado. Na realidade, ele pode representar uma mudança profunda na forma como o mercado avaliará profissionais nos próximos anos. O que entra em discussão é produtividade.
Como pontuou Bruno Cunha, titular da coluna Carreira em Movimento, do portal Movimento Econômico, muitas pessoas acreditam que o debate sobre a escala 6×1 é uma questão exclusiva das empresas.
Se a jornada for reduzida sem diminuição salarial, o custo da hora trabalhada sobe. Isso obrigará empresas a rever processos, eliminar desperdícios, automatizar tarefas repetitivas e medir melhor o resultado de cada função. A simples presença no posto de trabalho tende a perder peso diante da capacidade de entrega.
Reforma do trabalho
Essa transição não começa agora. A reforma trabalhista de 2017 já havia flexibilizado relações, ao regulamentar modelos como o teletrabalho e o contrato intermitente. Depois, a pandemia mostrou que parte das atividades poderia ser feita fora do escritório. Em 2022, o IBGE identificou 7,4 milhões de pessoas em teletrabalho e 9,5 milhões trabalhando remotamente no país.
Ao mesmo tempo, cresceu a busca por autonomia. Em 2026, os microempreendedores individuais já representam 78% das empresas abertas no Brasil, segundo levantamento do Sebrae com base em dados da Receita Federal.
A chamada uberização também avançou. O IBGE mostrou que o número de trabalhadores por aplicativos chegou a 1,7 milhão em 2024, alta de 25,4% em relação a 2022. É um movimento que combina flexibilidade, renda variável e baixa proteção social, exigindo do trabalhador uma postura mais organizada diante da própria carreira.
O possível fim da escala 6×1 reforça esse novo cenário. Para o trabalhador, a cobrança será maior por produtividade, qualificação e capacidade de adaptação.
A discussão sobre a escala 6×1, portanto, vai além da quantidade de dias trabalhados. Ela recoloca no centro uma pergunta decisiva: como o Brasil vai organizar um mercado de trabalho mais produtivo, mais flexível e menos precário? Para empresas e trabalhadores, essa talvez seja a verdadeira mudança em curso.
Fonte: Movimento Econômico
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