De acordo com uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 95% das empresas industriais registraram aumento nas despesas com frete, seguros e serviços logísticos no 1º trimestre de 2026 em relação ao 4º trimestre de 2025. Desse total, 52% das empresas afirmaram que a alta nos gastos com transporte está associada ao conflito no Oriente Médio.

O levantamento revelou que 35% dos respondentes apontaram que a escalada das tensões influenciou moderadamente os custos do transporte. Outros 8% identificaram uma relação leve entre o conflito e a alta das despesas, enquanto apenas 5% não veem essa conexão.

A percepção de relação entre a guerra e aumento dos custos é ainda maior entre empresas com atuação internacional. Segundo o levantamento, 60% das exportadoras e 62% das importadoras afirmam que o conflito entre Estados Unidos e Irã teve influência sobre os gastos logísticos.

Na visão do especialista em Políticas e Indústria da CNI, Rafael Sales Rios, o Estreito de Ormuz é responsável por boa parte do escoamento de petróleo para o mundo e isso influencia nos custos de toda a cadeia produtiva.

“Quando você impacta a comercialização do petróleo, os preços internacionais sobem e você vai criando um efeito cascata sobre outros insumos, como fertilizantes e plásticos. Você passa a ter um custo disseminado por todas as etapas da cadeia produtiva, não só com relação a custos de transporte”, apontou.

MEDIDAS DO GOVERNO FEDERAL: EFICAZES OU NÃO?

Segundo os entrevistados, as medidas do Governo Federal para mitigar os impactos do conflito no transporte brasileiro terão alcance limitado. De acordo com a pesquisa, somente 3% das empresas consideram que as medidas serão efetivas.

Mais da metade (54%) dos respondentes apontam que as iniciativas serão pouco eficazes para reduzir os custos com transporte de mercadorias nos próximos meses, enquanto 16% classificam as ações como ineficazes.

O levantamento revelou que os empresários se mostraram preocupados com a capacidade fiscal do governo para sustentar as medidas anunciadas, bem como receios de eventual aumento da carga tributária.

AUMENTO DOS CUSTOS DE TRANSPORTE

Além do conflito no Oriente Médio, a pesquisa apontou que fatores como a tributação sobre o setor (36%), fornecedores ou serviços logísticos (26%), fiscalização ou regulação do transporte (25%) e mão de obra (24%) também influenciaram no aumento dos custos com transporte no período.

De acordo com Rios, em algum momento as empresas vão ter que repassar esse aumento dos custos. “O impacto na economia será sentido em breve, com uma inflação um pouco mais alta e menor poder de compra do consumidor”, ressaltou.

Ele explicou que do lado das empresas, há perda de competitividade, principalmente das indústrias exportadoras, pois os produtos começam a ficar mais caros em relação a concorrentes de outros países.

IMPACTOS EM TODOS OS MODAIS

Segundo a pesquisa da CNI, o encarecimento com transporte afetou todos os modais analisados. No transporte marítimo nacional, por exemplo, 40% das empresas relataram forte elevação dos custos. No caso do transporte marítimo internacional, o impacto foi ainda maior: 54% das empresas registraram forte aumento nos gastos.

Conforme o levantamento, o transporte rodoviário também foi impactado. No âmbito nacional, 54% das empresas apontaram forte aumento dos custos. Já no transporte rodoviário internacional, 42% dos entrevistados relataram forte encarecimento das operações.

 

 Fonte: Mundo Logística

 

As notícias de outros veículos de comunicação postados aqui, não refletem necessariamente o posicionamento do SINDIPE.