O Nordeste acaba de receber uma das maiores notícias econômicas dos últimos anos. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, confirmou investimentos superiores a R$ 72,5 bilhões em Sergipe, em um pacote que promete mudar o mapa energético da região. Dessa forma, visa consolidar o estado como um dos principais polos de produção de gás natural do Brasil nas próximas décadas.

Bacia Sergipe-Alagoas é o gás natural

O anúncio antecede a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao estado e reforça um movimento que vem ganhando força nos últimos anos: a transformação da Bacia Sergipe-Alagoas em uma das novas fronteiras da exploração de petróleo e gás em águas profundas do país.

Os números impressionam. Apenas os projetos ligados ao complexo Sergipe Águas Profundas (Seap) devem receber cerca de R$ 60 bilhões em investimentos. Quando somados à reabertura da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen) e aos projetos de descomissionamento de plataformas antigas, os aportes superam R$ 72 bilhões e devem gerar aproximadamente 28 mil empregos diretos e indiretos.

Mais do que um investimento estadual, o projeto possui relevância estratégica para todo o Nordeste. Segundo a Petrobras, a participação da região na oferta nacional de gás natural deverá praticamente dobrar nos próximos dez anos, passando dos atuais 16% para 31% até 2035.

A princípio, essa expansão ocorre em um momento importante para o desenvolvimento industrial nordestino. Sendo assim, p gás natural está sendo considerado um dos principais insumos para setores como indústria química, fertilizantes, siderurgia, cerâmica, vidro, energia elétrica e produção de hidrogênio verde, segmento que vem atraindo investimentos bilionários em diversos estados da região.

O coração desse novo ciclo energético está no projeto Sergipe Águas Profundas, conhecido pela sigla Seap. O empreendimento prevê a instalação de duas grandes plataformas offshore, as unidades P-81 e P-87, que serão responsáveis pela produção de petróleo e gás em alto-mar.

O presidente Lula falou sobre o simbolismo do momento para o Nordeste e para o Brasil ao reafirmar o papel estratégico de Sergipe na política energética nacional. Ao comentar o volume de recursos destinados ao estado, Lula ressaltou o potencial transformador dos investimentos para os próximos anos.

“Nunca antes na história do Brasil, Sergipe recebeu a quantidade de investimento que está recebendo até 2030. Olhem como está o estado agora e vamos conversar sobre a evolução de Sergipe daqui a cinco, seis ou dez anos, a partir desses investimentos que estão sendo feitos aqui”, afirmou.

Produção de 100 mil barris até 2020

Cada plataforma terá capacidade para produzir cerca de 100 mil barris de petróleo por dia. Juntas, também poderão processar aproximadamente 22 milhões de metros cúbicos de gás natural diariamente. Assim, desse volume, cerca de 18 milhões de metros cúbicos serão enviados para a costa por meio de um novo gasoduto que ligará as operações marítimas ao continente.

Uma das novidades tecnológicas do projeto é que as plataformas contarão com unidades de processamento de gás embarcadas, reduzindo custos operacionais e aumentando a eficiência da produção.

A responsável pela construção das plataformas será a empresa holandesa SBM Offshore, uma das maiores operadoras de unidades flutuantes de produção do mundo. Contudo, o início da produção está previsto para 2030, enquanto a exportação do gás natural deve começar em 2031.

O que muda para Sergipe e para o Nordeste

Indicador Previsão
Investimentos totais R$ 72,5 bilhões
Projeto Sergipe Águas Profundas R$ 60 bilhões
Empregos gerados 28 mil
Produção diária de petróleo 200 mil barris
Produção diária de gás natural 22 milhões m³
Gás enviado à costa 18 milhões m³/dia
Participação do Nordeste na oferta nacional de gás De 16% para 31%
Início da produção 2030
Exportação de gás 2031

 

Especialistas do setor energético avaliam que o projeto pode provocar efeitos semelhantes aos observados em outras regiões produtoras de petróleo e gás do Brasil, impulsionando cadeias de fornecedores, serviços especializados, qualificação profissional e arrecadação tributária.

O impacto também pode alcançar estados vizinhos. Com maior oferta regional de gás natural, projetos industriais em Pernambuco, Bahia, Alagoas e Ceará podem ganhar competitividade nos próximos anos, principalmente aqueles ligados à indústria química e aos polos de hidrogênio verde que estão sendo desenvolvidos na região.

Petrobras vai em busca da autosuficiência em Fertilizantes

Outro anúncio importante envolve a reativação da Fafen de Laranjeiras. A unidade voltará a produzir fertilizantes nitrogenados, um insumo considerado estratégico para a agricultura brasileira.

Atualmente o Brasil importa grande parte dos fertilizantes que consome. Com a retomada das operações da fábrica sergipana e de outras unidades da Petrobras na Bahia, Paraná e Mato Grosso do Sul, o país poderá reduzir parte dessa dependência externa.

Em suma, a produção da Fafen de Sergipe deverá representar aproximadamente 7% da demanda nacional por fertilizantes nitrogenados. Assim, somadas, as unidades reativadas poderão responder por cerca de 35% das necessidades brasileiras nesse segmento.

O pacote inclui ainda um amplo programa de descomissionamento de 26 plataformas em águas rasas que operam há mais de meio século na costa sergipana. Dessa maneria, a medida busca encerrar operações antigas de forma segura e ambientalmente responsável, abrindo espaço para uma nova geração de projetos offshore.

Portanto, para Sergipe, os investimentos representam a maior transformação econômica desde a descoberta dos grandes reservatórios da Bacia Sergipe-Alagoas. Afinal, para o Nordeste, consolidam uma nova realidade: a região deixa de ser apenas consumidora de energia para assumir um papel cada vez mais relevante como produtora estratégica de petróleo, gás natural e fertilizantes para o Brasil.

 

Fonte: NE9

 

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