Forças de segurança cumpriram ordens judiciais na Avenida Faria Lima, núcleo financeiro de São Paulo, durante a Operação Carbono Oculto. • CNN

Somadas, as três operações resultaram em 14 mandados de prisão, sendo 6 realizados, e centenas de buscas e apreensões; criminosos movimentaram aproximadamente R$ 140 bilhões.

Três grandes operações deflagradas nesta quinta-feira (28) colocaram o setor de combustíveis e o crime organizado no centro das atenções, revelando um esquema bilionário de fraudes com participação direta do PCC (Primeiro Comando da Capital).

As ações, descritas pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, como as maiores da história contra a facção, mobilizaram mais de 1.400 agentes em oito estados e miraram desde redes de postos de combustíveis até fundos de investimento na Avenida Faria Lima, centro financeiro de São Paulo.

Carbono Oculto: R$ 52 bilhões e postos em 8 estados

A principal ofensiva do dia foi a Operação Carbono Oculto, do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e Gaeco. O foco foi um esquema de fraudes na cadeia de combustíveis que envolvia adulteração de produtos, venda de volume menor do que o registrado e importação irregular de metanol pelo Porto de Paranaguá.

Uma megaoperação foi deflagrada nesta quinta-feira (28) para desmantelar um esquema bilionário de fraudes no setor de combustíveis, com a participação de integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital), que envolvia a importação irregular de metanol pelo Porto de Paranaguá. A “Operação Carbono Oculto” cumpriu mandados em oito estados, revelando uma complexa rede de desvio e adulteração de combustíveis que lesava consumidores e gerava lucros exorbitantes ao crime organizado • MPSP

Segundo o MPSP, a facção criminosa controla redes de postos em São Paulo e Goiás e movimentou mais de R$ 52 bilhões em operações entre 2020 e 2024. Só em sonegação de impostos, o prejuízo calculado chega a R$ 7,6 bilhões.

Cerca de mil postos de combustíveis ligados ao grupo movimentaram o valor. O dinheiro chegava a fundos de investimento por meio de fintechs que atuavam como “bancos paralelos” da organização. Uma delas movimentou sozinha R$ 46 bilhões em quatro anos.

Mais de 400 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, foram atingidos por mandados de prisão e busca em São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

Fintechs e fundos na Faria Lima

A investigação mostrou que parte do dinheiro do esquema chegou ao mercado financeiro formal. A organização controlava mais de 40 fundos multimercado e imobiliários, que juntos somavam R$ 30 bilhões.

Sem citar nomes, a Receita Federal informou que uma fintech de pagamentos operava como um verdadeiro banco paralelo, escoando recursos ilícitos e dificultando o rastreamento.

Polícia Federal e operações Quasar e Tank

Na mesma manhã, a Polícia Federal deflagrou duas outras operações relacionadas. A Operação Quasar mirou a lavagem de dinheiro ligada ao PCC e cumpriu mandados na região da Avenida Faria Lima.

Já a Operação Tank, no Paraná, desarticulou uma das maiores redes de lavagem já identificadas no estado, com bloqueio de bens de 41 pessoas físicas e 255 jurídicas, somando mais de R$ 1 bilhão.

Lideranças identificadas

O MPSP também revelou nomes de supostos líderes do esquema: Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, apelidado de “Primo” ou “João”. Ambos são apontados como peças-chave no comando das operações.

A dupla é apontada como a principal responsável por uma rede de fraudes fiscais e contábeis que já movimentou mais de R$ 52 bilhões.

Esquema podia servir a outros grupos

Segundo o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, a estrutura de lavagem de dinheiro descoberta não atendia apenas ao PCC, mas estava disponível a outros grupos criminosos que quisessem utilizá-la.

As investigações seguem em andamento e prometem atingir setores estratégicos da economia.

Fonte: CNN

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