A produção nos campos terrestres nordestinos está sendo sustentada por operadoras independentes que assumiram ativos da Petrobras, como PetroRecôncavo na Bahia. Foto: PetroReconcavo/Reprodução.

Com alta no gás natural do Maranhão e estabilidade no petróleo terrestre da Bahia e do RN, o Nordeste alcançou 3,1% da produção nacional de petróleo e gás em junho de 2025, segundo boletim da ANP.

O Nordeste ampliou sua participação na produção nacional de petróleo e gás natural em junho de 2025, atingindo 3,1% do total extraído no Brasil. O dado consta no mais recente Boletim da Produção de Petróleo e Gás Natural divulgado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). No mesmo mês de 2024, a fatia nordestina era de 2,8%, o que representa um leve avanço num cenário ainda concentrado nas bacias marítimas do Sudeste.

O crescimento regional foi puxado pela expansão da produção de gás natural no Maranhão, que alcançou 6,62 milhões de metros cúbicos por dia (Mm³/d), consolidando o estado como referência na produção de gás em terra. A produção de gás no estado representa 3,6% do total nacional e já exerce papel relevante na segurança energética do Sistema Interligado Nacional.

Bahia e RN mantêm protagonismo na produção terrestre de petróleo

No petróleo, a Bahia e o Rio Grande do Norte mantiveram protagonismo entre os produtores onshore, com 20,4 mil e 31,9 mil barris por dia (bbl/d), respectivamente. Juntos, operam 140 campos ativos — 71 na Bahia e 69 no Rio Grande do Norte — evidenciando a relevância do parque maduro da região.

Na Bahia, a Bacia do Recôncavo concentra a maior parte dos campos em operação, com estrutura consolidada de escoamento e comercialização. No Rio Grande do Norte, os campos do Polo Potiguar seguem ativos sob gestão privada. Destaque para o campo de Estreito, com produção de 812 barris por dia.

A produção total brasileira atingiu o recorde de 4,9 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d), influenciada pelo desempenho dos campos do pré-sal, que responderam por 3,86 milhões de boe/d, o equivalente a 78,8% da produção nacional. Apesar disso, os campos terrestres seguem relevantes: “a produção ocorreu em 6.555 poços, sendo 536 marítimos e 6.019 terrestres”, destaca a ANP no relatório.

 

Operadoras independentes sustentam o avanço da produção onshore

A produção nordestina representa 3,1% da produção nacional, frente aos 2,8% registrados no mesmo período do ano anterior. Embora pequena, essa variação sinaliza o fortalecimento das operações em campos terrestres e o peso crescente da produção de gás no Maranhão no cenário energético nacional.

A produção nos campos terrestres nordestinos está sendo sustentada por operadoras independentes que assumiram ativos da Petrobras, como PetroRecôncavo, 3R Petroleum, Origem Energia e SPE Tiêta. A estratégia dessas empresas tem se concentrado na revitalização de campos maduros e de economicidade marginal, contribuindo para a manutenção da atividade econômica regional.

Pré-sal domina a produção, mas Nordeste avança com gás e terra

Dos 153,7 mil boe/d produzidos na região, 70,9 mil foram de petróleo e 13,16 milhões de m³/d de gás natural. Alagoas contribuiu com 1,46 Mm³/d de gás e 3,9 mil bbl/d de petróleo. Sergipe registrou 13,6 mil bbl/d de petróleo, enquanto o Ceará somou 904 barris/dia com produção residual de gás.

O desempenho do Nordeste ocorre em um momento de reorganização da cadeia produtiva do petróleo e gás, com maior presença de operadores privados e expansão da produção terrestre. Embora a produção em águas profundas concentre os grandes volumes, o avanço nordestino reafirma a importância da produção onshore como vetor de desenvolvimento regional e equilíbrio da matriz energética nacional.

Fonte: Movimento Econômico

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