Um mapeamento feito pelo Instituto Combustível Legal (ICL) sobre roubos e tentativas de roubos a balsas de combustíveis na Região Norte do país mostra que, em 2024, os índices de segurança melhoraram em comparação aos três anos anteriores.

O ano fechou sem roubos, mesmo com oito tentativas. Em 2023, foram quatro roubos e nove tentativas; em 2022, sete roubos e duas tentativas; em 2021, oito roubos; e, em 2020, quatro roubos. Em relação a 2020 e 2021, não há dados sobre as tentativas.

Impactos da segurança embarcada

Para Galdino Alencar Jr., presidente do Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial do Estado do Amazonas (Sindarma), a adoção de segurança embarcada      foi o motivo para a redução dos índices de tentativas e de roubos.

“Tínhamos um cenário catastrófico de ataques aos nossos comboios, com prejuízos milionários, incluindo agressões físicas e mutilações em alguns tripulantes. A coisa estava tão feia que as seguradoras não queriam mais fazer seguros para a nossa região. Para seguir navegando e evitar o desabastecimento, conseguimos a permissão da Marinha e a ajuda das distribuidoras para implantar a segurança embarcada      a bordo”, afirma.

Segundo ele, a falta de policiamento e as longas distâncias percorridas nos rios “praticamente eliminava o tempo de resposta da polícia aos ataques”. Um comboio precisava navegar por dois dias para registrar ocorrência policial na próxima cidade, relata. “A longa distância e a ausência de um policiamento constante nos rios fizeram com que fôssemos uma presa fácil para os piratas”, descreve Alencar Jr.

O presidente do sindicato diz que a adoção da segurança particular “reduziu drasticamente os roubos, entretanto, as tentativas de assaltos continuam em um número menor”, mas sendo repelidas pela segurança embarcada.

Grupo de Trabalho do ICL acompanha ações na Região

No ano passado, um levantamento do ICL revelou que os piratas dos rios causavam prejuízo anual de cerca de R$ 100 milhões nas atividades de transporte de cargas pelo Rio Amazonas.

Desde 2022, o instituto desenvolve ações para apoiar o combate aos crimes que afetam os transportes de combustíveis. Segundo Rosano Souza, integrante do Grupo de Segurança Empresarial do ICL, “foi fundamental a integração inicial dos associados” do instituto, que identificaram causas, objetivos e ações importantes para coibir os ilícitos.

Ele menciona o “Manual de boas práticas para proteção de comboios fluviais que transportam combustíveis” como um dos resultados dessa atuação. Faça aqui o download da publicação.

O Grupo de Trabalho mapeou a criminalidade nos estados com maior incidência de ocorrências (Amazonas, Pará e Rondônia) e desenvolveu ações por meio de outros grupos (Público/Privado e Multisetorial). Com isso, criaram procedimentos para alinhar as culturas organizacionais das diferentes empresas associadas ao ICL, visando à adoção da vigilância armada nas embarcações.

Atualmente, as empresas operam com tecnologia embarcada e fazem gerenciamento de risco, com incremento de novas tecnologias e ferramentas.

“O ICL junto com o IBP [Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás] tem nos ajudado nessa luta. Participamos juntos de várias reuniões com a Secretaria de Segurança, ajudando no projeto de implantação de bases policiais ao longo dos rios e cobrando ações do poder público, oferecendo até ajuda para a manutenção das bases”, descreve Alencar Jr.

Souza destaca que o ICL também tem realizado treinamentos sobre transporte fluvial de cargas para órgãos governamentais. Ele afirma que o excelente trabalho realizado no transporte rodoviário de cargas, em outras regiões do país, foi adaptado às peculiaridades e ao modal aquaviário da Região Norte.

“As nossas distâncias são continentais, precisamos de um policiamento ostensivo e constante ao longo dos rios. O nosso sonho é que o governo federal crie uma Polícia Hidroviária Federal para patrulhar os nossos rios, que hoje estão infestados de drogas, garimpo ilegal e piratas”, defende o presidente do Sindarma.

 

FONTE: INSTITUTO COMBUSTÍVEL LEGAL

 

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