Corveta IRIS Shahid Sayyad Shirazi, da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, foi alvo de um ataque em Hormozgan, em 4 de março de 2026 (Foto RS-Fotos Públicas) 1
Mercado consolida expectativa de que efeitos do conflito no Oriente Médio vão se estender
O prolongamento do conflito no Oriente Médio e a ausência de um sinal de reabertura dos fluxos comerciais de petróleo na região levaram o preço do barril a variar de US$ 84 a US$ 120 ao longo de segunda-feira (9/3).
- Os preços estão no maior patamar desde 2022, quando teve início um outro conflito que se arrasta há anos, a guerra na Ucrânia.
- Na prática, a cotação praticamente dobrou em relação ao início do ano, quando o barril estava na casa dos US$ 60.
- As ações das petroleiras brasileiras reagiram e acompanharam a alta (Valor Econômico)
- Novamente, o choque internacional nos combustíveis ocorre num ano eleitoral no Brasil e os combustíveis tendem a ser um item de peso no pleito.
Ao longo da segunda (9), a cotação teve um alívio e o Brent encerrou o dia cotado a US$ 98,96 o barril na negociação para maio.
- Os preços cederam depois da sinalização de uma possível liberação de estoques por países do G7.
- Ao todo, a Agência Internacional de Energia (IEA) estima que os membros da agência têm mais de 1,2 bilhão de barris de reservas públicas de emergência, que poderiam ser usados para aliviar o mercado.
- Além disso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também disse que a guerra terminará “muito em breve”. (G1)
Os desdobramentos futuros dependem muito da abertura do Estreito de Ormuz.
- A Rystad Energy calcula que se a atual situação persistir por quatro meses, os preços do barril chegarão a US$ 135.
Analistas apontam que não há um fator novo que justifique a recente alta, mas sim a consolidação das expectativas no mercado de que os efeitos gerados pelo fechamento de Ormuz vão durar mais que o esperado, depois de uma semana do início do conflito.
- Autoridades iranianas, inclusive, criticaram as iniciativas para tentar retomar as atividades na região.
Segundo a analista da StoneX, Isabela Garcia, o desvio de rotas e o uso de estoques podem amenizar a pressão no curto prazo, mas não resolvem o problema de forma estrutural.
- “Quanto mais tempo os fluxos permanecerem limitados, com a navegação efetivamente interrompida, maior será a dificuldade de compensar esse choque de oferta”, diz.
- Há poucas opções para contornar o impacto logístico do bloqueio. Leia mais em: Quais são as rotas alternativas para o petróleo com o bloqueio do Canal de Ormuz?
Enquanto isso, os reiterados ataques à infraestrutura na região também indicam que a recuperação após o conflito será mais demorada.
- No domingo (8), a capital iraniana teve a distribuição de combustível temporariamente interrompida após ataques de Israel contra quatro depósitos de combustível e um centro logístico. Uma fumaça escura pairou sobre Teerã e deixou a cidade na escuridão em pleno dia.
Não são apenas os analistas que estão sentindo a realidade da guerra se impor: no Brasil, o presidente Lula (PT), candidato à reeleição, reconheceu que o preço dos combustíveis “está subindo muito e deve subir em todos os países do mundo”.
Mas, por enquanto, a Petrobras está evitando repassar os aumentos, sem reajustes no diesel e na gasolina desde o início do conflito.
- A demora, no entanto, gera transtornos na cadeia de comercialização.
- As defasagens nos preços da estatal em relação ao mercado internacional atingiram o maior patamar em anos, com uma diferença de 85% no diesel, que tem espaço para uma alta de R$ 2,74 no litro, segundo a Abicom.
- Na gasolina, a diferença é de 49%, com espaço para reajuste de R$ 1,22 no preço do litro.
Importação de biodiesel. O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) vai debater na reunião convocada para quinta-feira (12) a liberação da importação de biodiesel para cumprir o mandato de mistura, hoje em 15%.
- A liberação em discussão poderá atender até 20% da demanda.
- Entidades empresariais defendem a abertura, enquanto produtores apontam risco de desregulação do mercado.
Etanol sobe em 11 estados. Os preços médios do etanol hidratado subiram em 11 estados e no Distrito Federal, caíram em outros oito e ficaram estáveis em sete na semana encerrada no sábado (7/3). Nos postos pesquisados pela ANP em todo o país, o preço médio caiu para R$ 4,61 o litro (-0,43%).
Judicialização do LRCAP. O Instituto Arayara entrou com pedido junto ao ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Jorge Oliveira, para ingressar como parte interessada na representação da área técnica da corte que coloca em xeque as regras do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) de 18 de março.
- O Arayara tenta, via judicial, suspender o certame e alega que a apuração pelo TCU “guarda relação próxima” com seu objeto de atuação — a ação civil pública na Justiça Federal por meio da qual questiona a inclusão das usinas a carvão no leilão.
Chamada para supridores de gás. A SCGás abriu uma chamada pública para receber propostas de suprimento de gás natural. O objetivo é mapear as condições comerciais disponíveis no mercado, para que a companhia conheça, compare e avalie diferentes alternativas comerciais disponíveis.
Feito no Brasil. O mês de fevereiro marcou a primeira vez que um carro 100% elétrico ficou no topo das nas vendas de veículos no Brasil, com 4,1 mil unidades do Dolphin Mini, da BYD, emplacadas. A produção nacional está ganhando peso junto com o crescimento das vendas dos carros elétricos no país. Leia na diálogos da transição.
Terras raras. O presidente Lula disse que “o Brasil não vai fazer com as terras raras e minerais críticos aquilo que foi feito com o minério de ferro”.
- Ele defendeu que empresas estrangeiras que quiserem explorar os minerais brasileiros terão de fazer a transformação dessas commodities em produtos com valor agregado no próprio Brasil.
Cooperação com a África do Sul. O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin (PSB), indicou na segunda-feira (9) que o governo brasileiro está pronto para apoiar uma proposta de cooperação industrial com a África do Sul.
Opinião: Enquanto o ocidente tenta alcançá-la, a China avança para o próximo degrau tecnológico, com novas células fotovoltaicas, baterias de estado sólido, eletrólitos de alta tensão. Se dominar essas rotas enquanto outros países ainda escalam tecnologias anteriores, a muralha seguirá crescendo, escreve Marcelo Gauto.
gas week 2026. Marcada para 28 e 29 de abril, no Complexo Brasil 21, a edição deste ano da gas week passará a ter dois dias de programação. A principal novidade do encontro, que reúne a cúpula empresarial e política do setor na capital federal, é a criação da Arena Gas Match.
- Chancelado pela Abegás, o novo espaço promoverá rodadas de negócios diretas para conectar a demanda (distribuidoras e grandes consumidores) à oferta (produtores e comercializadoras). Com patrocínio master da Petrobras e do Governo Federal, a agenda debaterá ainda a regulação do biometano, o avanço do mercado livre e a integração energética com Argentina e Bolívia.
Fonte: Eixos
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