Nova fábrica da Inpasa, na Bahia, irá produzir 500 milhões de litros de etanol de milho por ano – Foto: Divulgação

Fábrica de etanol de milho será instalada em Luis Eduardo Magalhães; anúncio ocorreu durante a 14ª edição do Fórum Nordeste.

A Inpasa vai ampliar sua atuação no Nordeste com a construção de uma nova fábrica dedicada ao processamento de milho e sorgo em Luís Eduardo Magalhães, na Bahia. O investimento previsto é de aproximadamente R$ 2 bilhões, com inauguração da primeira etapa programada para o terceiro trimestre de 2026.

A unidade terá capacidade de processar 1 milhão de toneladas de grãos e produzir 500 milhões de litros de etanol por ano, consolidando o papel da região na matriz energética renovável do país. Divulgado em setembro do ano passado, o investimento previsto na unidade baiana seria de R$ 1,2 bilhão.

O anúncio foi feito na última segunda-feira (1º), por Gustavo Mariano, vice-presidente comercial de etanol da Inpasa, durante a 14ª edição do Fórum Nordeste, no painel “Um overview da produção de etanol de milho no Brasil”. Segundo ele, o projeto reforça a aposta da companhia no potencial nordestino.

“Os biocombustíveis são uma tendência mundial na busca pela descarbonização. Vamos reforçar esta crença no potencial da região na demanda local de etanol, trazendo mais consumo, suprimento e segurança”, declarou.

O debate foi mediado por Guilherme Nolasco, presidente-executivo da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), e reuniu também Edmundo Coelho Barbosa, presidente-executivo do Sindicato da Indústria do Álcool e do Açúcar da Paraíba (Sindalcool-PB), e Hugo Cagno Filho, presidente da União Nacional da Bioenergia (UDOP).

Potencial do Nordeste para o etanol de milho

Durante o evento, Mariano destacou que o Nordeste tem grande espaço para expandir o consumo e a distribuição do etanol de milho, mas ressaltou a necessidade de infraestrutura, incentivos fiscais e conscientização do mercado sobre as vantagens do hidratado. Atualmente, apenas 11% do consumo de combustível veicular na região corresponde ao etanol, enquanto a gasolina responde por 89%.

Ele também chamou atenção para os gargalos logísticos. “Ainda temos uma quantidade pequena de bases secundárias no Nordeste. Temos conversado com distribuidores sobre a relevância de polos bem distribuídos, reduzindo o estresse logístico e aumentando a previsibilidade do mercado”.

Crescimento da produção nacional de etanol de milho

O setor de etanol de milho vem registrando forte expansão nos últimos anos. Segundo Mariano, a produção brasileira foi de 10 bilhões de litros em 2025 e deve alcançar 11,5 bilhões em 2026, repetindo o crescimento também em 2027. Esse avanço é sustentado pela segunda safra do milho, que aproveita a estrutura produtiva da soja, garantindo escala e competitividade.

Para Guilherme Nolasco, presidente executivo da União Nacional do Etanol de Milho (UNEM), a projeção é ainda mais ambiciosa: dobrar a produção e atingir 20 bilhões de litros até 2032.

Ele explica que a abundância de matéria-prima cria oportunidades para agregar valor no mercado interno.

“Temos grandes excedentes de milho, distantes dos portos e com dificuldades de armazenagem. Produzir etanol gera uma economia circular, com biocombustível, produtos para nutrição animal e óleo aplicável em diferentes indústrias, transformando excedentes em riqueza”.

Fábrica de etanol de milho no Maranhão

Em agosto deste ano, a Inpasa deu um passo decisivo na consolidação da bioeconomia brasileira ao inaugurar sua nova fábrica em Balsas, no Maranhão. Com investimento de R$ 2,5 bilhões, a unidade se tornou a maior biorrefinaria de etanol de milho da América Latina, posicionando o Matopiba como um novo eixo da indústria verde nacional.

A planta tem capacidade para processar 2 milhões de toneladas de milho e sorgo por ano, gerando até 925 milhões de litros de etanol, além de 490 mil toneladas de DDGS para nutrição animal e 47 mil toneladas de óleo vegetal. a unidade já está certificada para fornecer matérias-primas ao mercado de Combustível Sustentável de Aviação (SAF).

Operando sob o modelo de economia circular, a fábrica utiliza biomassa para cogeração de energia, alinhando produção à sustentabilidade e à nova política energética brasileira, que passou a exigir 30% de etanol anidro na gasolina (E30).

Fórum Nordeste 2025

Fórum Nordeste 2025 -Foto: Arthur Botelho/Folha de Pernambuco

O Fórum Nordeste 2025 é um evento realizado pelo Grupo EQM, que está em sua 14ª edição em 2025, e reúne autoridades, empresários e especialistas para debater temas relacionados à inovação, sustentabilidade e transição energética, especialmente no setor sucroenergético, no Nordeste do Brasil.

O evento ocorreu na última segunda-feira, (1º), no Recife, e abordou assuntos como bioeconomia, energias renováveis, descarbonização da economia e os desafios e oportunidades para o desenvolvimento sustentável da região. 

 

Fonte: Movimento Econômico

 

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