Evento discutiu desafios e benefícios da conclusão da ferrovia Transnordestina no trecho Salgueiro-Suape. Foto: Márcio Didier/Movimento Econômico

A economia da cidade de Salgueiro pode até triplicar, caso seja concluído o trecho pernambucano da Transnordestina até Suape.

A economia da cidade de Salgueiro pode triplicar com a conclusão do trecho ferroviário Salgueiro-Suape, segundo um levantamento feito pelo professor da Universidade de Pernambuco (UPE) e consultor logístico, Guilherme Magalhães. Ele apresentou as informações no Seminário Conexões Transnordestina – A Ferrovia que Moverá Pernambuco – que ocorreu, nesta quinta-feira (24) em Salgueiro, a 512 km do Recife. O evento é uma iniciativa conjunta do Movimento Econômico e da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).

De acordo com o estudo do professor, caso o trecho pernambucano da Transnordestina entre em operação, a cidade de Salgueiro pode ganhar um porto seco – um grande entreposto de mercadorias – e receber também um terminal terrestre para fazer a distribuição regional de combustíveis, que poderá movimentar 1,8 milhão de toneladas de combustível por ano. A vantagem deste terminal terrestre é de que o combustível chegaria a Salgueiro de trem, reduzindo o seu custo de distribuição.

O professor da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), Maurício Pina, argumentou que Salgueiro tem uma importância estratégica dentro deste cenário, porque da forma como está sendo pensada, vai se transformar em uma grande plataforma logística. “Hoje, Salgueiro é um entroncamento rodoviário importante, com a BR-232 e a BR-116. E passará a ser também um entroncamento ferroviário com quatro ramais: Salgueiro–Suape, Salgueiro–Petrolina, Salgueiro–Missão Velha (no Ceará) e Salgueiro–Eliseu Martins, no Piauí. Eu considero Salgueiro o centro geográfico do Nordeste, pela facilidade de interligação com praticamente todas as regiões”, diz Mauricio, um dos maiores especialistas em transporte de Pernambuco.

O trecho Salgueiro-Suape está com as obras paralisadas, o Salgueiro-Petrolina está em fase de estudos, enquanto as obras avançam nos trechos Salgueiro-Missão Velha e Salgueiro-Eliseu Martins.

Também presente ao evento, o prefeito de Salgueiro, Fábio Lisandro, considerou “importante” a retomada deste debate para que Pernambuco se reconecte com o projeto da Ferrovia Salgueiro-Suape. “A nossa intenção é travar uma luta para que os investimentos venham e Pernambuco garanta os trilhos do seu desenvolvimento”, comentou o chefe do executivo de Salgueiro.

Ramal Salgueiro-Suape

Magalhães defende que não há crescimento sustentável para o Sertão Central de Pernambuco sem a conclusão das obras da ferrovia Salgueiro-Suape. “Isso vai atrair a movimentação de mercadorias de outras regiões para o Sertão”, disse, argumentando que o consumo da região pode aumentar com a chegada de mercadorias por trem e também crescer o escoamento da produção tendo um modal mais barato. Ele argumentou que isso impactaria diretamente a avicultura do Agreste, o gesso do Araripe, o setor sucroalcooleiro da Mata Sul, fertilizantes e a construção civil, entre outros.

Pelo levantamento do professor, a Transnordestina pernambucana vai ter uma capacidade de movimentar 30 milhões de toneladas de carga por ano, sendo 3,4 milhões de toneladas de grãos; 1,8 milhão de toneladas de combustíveis; 10 milhões de toneladas de minério de ferro e 7,9 milhões de toneladas de outras cargas.

Ainda na sua apresentação, o professor Magalhães também argumentou que a não conclusão do trecho Salgueiro-Suape vai reduzir a competitividade no futuro do Porto de Suape, o que é senso comum entre especialistas de transporte e economistas. O trecho Salgueiro-Suape tem 38% de execução e as obras estão paralisadas desde 2016.

Combustíveis que viriam da Rnest

Também participando do evento, o diretor do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Petróleo de Pernambuco e da Paraíba (Sindipetro PE/PB) Diego Liberalino defendeu a importância de Salgueiro na logística de combustíveis e a futura conexão do trecho Salgueiro-Suape com a Refinaria Abreu e Lima (Rnest) que está aumentando a sua capacidade de produção.

Segundo Diego, o projeto de construção de um terminal da Petrobras em Salgueiro já passou por estudos técnicos e é viável economicamente, podendo gerar cerca de 400 empregos. O investimento seria de cerca de R$ 1 bilhão.

A estatal Infra S.A. está fazendo os projetos básicos e executivos para lançar o edital de retomada das obras do trecho pernambucano, o que deve ocorrer até o último trimestre deste ano.

 

Fonte: Movimento Econômico

 

As notícias de outros veículos de comunicação postados aqui não refletem necessariamente o posicionamento do SINDIPE.