CEO da Origem Energia, Felipe Coutinho, fala sobre projetos de estocagem de gás natural em Alagoas e potencial energético. Foto: Dean de Almeida

Segundo CEO da Origem Energia, projeto deve ter início este ano e capacidade de estocar 106 milhões de m³ de gás natural por ano.

Alagoas pode iniciar ainda este ano a operação de um projeto pioneiro da Origem Energia que vai estocar gás natural em sua unidade localizada no município do Pilar. Em entrevista ao Movimento Econômico, o CEO da empresa, Felipe Coutinho, afirmou que o estado reúne condições estratégicas para se tornar o principal hub de estocagem subterrânea de gás natural do país, funcionando como uma “bateria do sistema energético nacional”.

A Origem atua em Alagoas há quatro anos, operando uma das bases que pertencia à Petrobras. Anualmente, segundo Coutinho, são investidos mais de US$ 100 milhões, o equivalente a R$ 600 milhões. O projeto de estocagem, que será realizado em parceria com a TAG, tem previsão de receber R$ 1 bilhão em investimentos, divididos por etapas.

A Origem será responsável pela infraestrutura já instalada no Polo de Alagoas, incluindo reservatórios depletados, poços perfurados, dutos de escoamento conectados e o chamado “gás de colchão”. A TAG aportará capital para complementar as estruturas necessárias à operação do serviço. Na fase inicial, a capacidade de armazenamento será de 106 milhões de m³/ano, podendo chegar a 500 milhões de m³/ano no longo prazo.

“Apesar de ser uma tecnologia com mais de 100 anos no mundo, ela é pioneira no Brasil. Estamos há três, quatro anos trabalhando para desenvolver uma regulação adequada e preparar o reservatório para essa nova função. Estamos muito convictos de que, ainda este ano, Alagoas será a primeira a operar estocagem de gás natural no Brasil”, destacou o CEO.

Segundo Coutinho, a empresa aguarda a autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para dar início às operações. A estrutura será a primeira do tipo no país e terá papel estratégico no equilíbrio da matriz energética brasileira, especialmente com a crescente presença das fontes renováveis.

Alagoas é uma das quatro bacias de gás natural não associado do país —e uma das únicas com conexão direta à malha nacional de dutos. “O estado pode receber gás de qualquer lugar do Brasil e redistribuí-lo. Isso torna Alagoas um ponto único de segurança energética para o país”, afirmou Coutinho.

Reforço em infraestrutura logística vai impulsionar gás natural no NE

A expansão do setor energético no Nordeste será acompanhada por novos investimentos em infraestrutura logística. O secretário executivo do Ministério dos Transportes, George Santoro, confirmou ao Movimento Econômico que obras estruturantes como os arcos metropolitanos de Maceió e de Recife serão fundamentais para garantir o escoamento da produção de gás.

“A estocagem de gás em Alagoas está dentro do Arco Metropolitano. A duplicação vai melhorar a logística e facilitar o transporte, seja por dutos ou caminhões. Isso amplia as possibilidades de levar o gás estocado ao interior do Brasil com menos investimentos em infraestrutura fixa”, explicou Santoro.

Em Alagoas, o Arco Metropolitano prevê a duplicação das BRs-316 e 424, passando por Pilar, Marechal Deodoro, Atalaia e Satuba. As obras já começaram na BR-424, com duplicação de 16 quilômetros nesta primeira etapa — um trecho estratégico entre o Polo Industrial de Marechal Deodoro e as cidades vizinhas.

A obra está contemplada no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e receberá R$ 252,7 milhões em investimentos federais. O prazo estimado de conclusão é de 24 meses.

Além disso, o Ministério aposta na implantação dos “corredores azuis”, que são rotas logísticas com infraestrutura de abastecimento para veículos a gás natural ou gás liquefeito (GNL). A proposta prevê a instalação de postos de parada e descanso (PPDs) com abastecimento em trechos estratégicos de rodovias federais.

“Já entregamos nove PPDs e vamos chegar a 70 até 2027. Em Alagoas, um posto será instalado em Novo Lino, na BR-101, e outro no posto fiscal de Porto Real do Colégio. A meta é integrar logística, segurança rodoviária e transição energética”, explicou Santoro.

A política faz parte da infraestrutura verde nacional e deve contribuir para a viabilidade do gás natural no transporte pesado, reduzindo emissões e fortalecendo rotas sustentáveis em todo o país.

Origem reforça protagonismo energético do Nordeste

O evento Origem 360 Alagoas – Caminhos para a Segurança Energética reúne, em Maceió, entre os dias 15 e 17 de julho, autoridades, especialistas, empresas e representantes do setor de gás e energia para discutir os rumos da matriz energética brasileira.

A programação inclui painéis sobre estocagem, integração energética, infraestrutura e financiamento, além de workshops técnicos e rodadas de negócios. Organizado pela Origem Energia, o evento busca fomentar o diálogo entre empresas, governo, reguladores, investidores e sociedade civil.

Com ampla produção de fontes renováveis e reservas estratégicas de gás natural, o Nordeste aparece como protagonista na nova matriz energética brasileira, e Alagoas desponta como ponto de equilíbrio entre sustentabilidade, logística e desenvolvimento.

 

FONTE: MOVIMENTO ECONÔMICO

 

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